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de Sorocaba.SP

Ambulância demora três horas para atender no Júlio de Mesquita

A família de Severino Belo da Silva, 52 anos, está inconformada. O aposentado morreu na noite de quarta-feira (13) enquanto aguardava a chegada de uma ambulância, que só chegou após três horas.

Assim que ele começou a passar mal, a sobrinha de Severino, Joseana Josefa Valério da Silva, 29 anos, conta que acionou o serviço através do telefone 192, responsável pelo atendimento das emergências.

O contato foi realizado às 18h18. Com a demora, ela voltou a insistir mas só conseguiu atendimento eletrônico, segundo ela.

“Daí liguei para o Corpo de Bombeiros e me disseram que não poderia atender porque ele (Severino) tinha problemas mentais. E me deram outro telefone, da central de ambulâncias”.

Com o novo contato, perto das 21h, a sobrinha descobriu que seu pedido estava registrado desde às 18h18, mas que constava como solicitação atendida. “Pediram desculpas e me disseram que tinham dado baixa na minha ficha”, diz. “Quando a ambulância chegou, ele já estava caído, morto”.

Para a família, trata-se de puro descaso, que não pode ser esquecido. “Espero que isso não aconteça com mais ninguém. Foram três horas para chegar uma ambulância. Se houve erro, foi um erro fatal”, aponta Antônio Cícero da Silva, também sobrinho de Severino.

Depois de vender a casa em George Oeterer, Severino mudou-se para a casa dos sobrinhos, no Conjunto Habitacional Júlio de Mesquita, no final de novembro. Era só o tempo do aposentado resolver sua viagem para o Nordeste.

“Meu pai (irmão dele) mora em Pernambuco. E ele queria muito ir morar para lá”, conta Antonio Cícero da Silva. “Era para ele ter viajado dia 10 de dezembro”, lembra. Depois da morte de Severino, a família não descarta medidas judiciais contra a prefeitura.

Paciente espera nove horas
Na Vila Santana, a dona de casa Roseli Aparecida de Souza tentava conseguir uma ambulância para levar seu cunhado ao Hospital Regional. A saga começou ontem, às 8h da manhã e até as 17h não havia terminado. Ela conta que Gilberto Alves de Souza, 54 anos, é epiléptico e sofre com deficiências. Na quinta-feira ele teve um ataque, caiu na cozinha e foi atingido por um caldeirão de água fervente, resultando em queimaduras graves em uma das pernas. O atendimento emergencial foi feito e ele deveria voltar para trocar os curativos. “Mas não conseguimos ambulância, de jeito nenhum!”, conta Roseli, citando todos os lugares para onde ligou: 192 (Central de Ambulâncias), 190 (Polícia Militar), 193 (Bombeiros), além de posto de saúde da Vila Santana e setores responsáveis pela assistência social e programa médico da família.

O BOM DIA refez algumas ligações. Na Central de Ambulâncias, uma pessoa identificada como Regina, afirma que o atendimento não podia ser feito porque “não se tratava de urgência”. A orientação foi para procurar a promoção social, pelo telefone 3238-2426. Neste setor, a funcionária Márcia forneceu as mesmas informações, dizendo que havia necessidade de cadastro prévio.

A atendente transferiu a ligação para o gabinete da saúde, mas sem sucesso. “É assim. Ou deixam a gente esperando ou cai a ligação”, lamenta Roseli.

Samu ainda está inoperante
O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que deveria atender tais casos, ainda não funciona. O sistema, uma parceria da prefeitura com o governo federal, tinha prazo de início em maio passado. Um dos motivos de atraso é a falta de médicos para compor as equipes de atendimento.

A proposta é reunir recursos especiais, de equipamentos e profissionais, que possam chegar até os casos de maior gravidade.

O serviço deve funcionará na Unidade Pré-Hospitalar da Zona Norte. A previsão, divulgada em julho, é de que a equipe seja composta de 135 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, motoristas, etc.

Sindicância
A prefeitura de Sorocaba, por meio de sua Secretaria de Comunicação, informa que o atraso no atendimento a Severino Belo da Silva vai ser apurado por uma sindicância interna.


Bom Dia Sorocaba

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